O lado humano do apagão

Na noite da última terça-feira, 10, algumas cidades do Brasil e do Paraguai passaram por uma situação inusitada. A hidrelétrica de Itaipu, ficou com todas as suas máquinas desligadas, causando assim um apagão em diversas regiões diferentes.
O possível motivo que levou à pane no sistema elétrico da Itaipu foi devido a questões climáticas, no entanto a informação é controversa, e ainda podemos aguardar novas revelações quanto a essa questão.
Mas o objetivo desse post não é fazer mais uma divulgação sobre o problema elétrico que atrapalhou a vida de alguns cidadãos brasileiros, e sim fazer uma reflexão sobre como esse apagão fez com que muitas pessoas tivessem uma noite diferente. Não apenas pelo fato de que estávamos sem luz, mas porque vimos que mesmo sendo totalmente dependentes dos recursos tecnológicos, ainda conseguimos agir à moda antiga.
Há quanto tempo você não se reunia com sua família na sala e ouvia as notícias por um radinho de pilhas? Alguns nem devem ter um rádio, em que só funcione estações AM e FM. Ou simplesmente ter a chance de ficar todo mundo junto por um período de tempo. Salvo raras excessões, a rotina corrida e a neurose urbana faz com que as família se transformem em um monte de estranhos vivendo sob o mesmo teto. Tenho certeza que muitos pais e filhos tiveram a chance de ficar mais próximos e conversarem sobre como havia sido o dia de cada um enquanto estavam no escuro.
Nas ruas, era possível ver transeuntes andando em grupos, com destinos parecidos. Algumas devem ser conhecidas de vista, mas nunca se falaram.Isso acontece porque ficamos tão fechados em nossas vidas e preocupados com nossos problemas que esquecemos que vivemos em um meio social. Outras viram em quem estava mais perto a chance de puxar uma conversa, se distrair e se sentir seguro diante dos perigos da rua.
Pessoas que moram em prédios e condomínios tiveram a chance de conhecer e interagir com seus vizinhos, individuos que vivem na porta ao lado ou no andar de cima, e nem sabemos quem são. Uma vela aqui, uma lanterna ali, uma companhia para subir as escadas. Esses pequenos gestos aproximam as pessoas.
A falta de energia também fez com que estabelecimentos comerciais, como restaurantes e bares colocassem velas sobre as mesas de seus clientes fazendo com que realmente as pessoas prestassem atenção umas nas outras, olhando-se nos olhos de fato. Sem ruídos sonoros e sem aparelhos audio-visuais. Criando assim uma atmosfera romântica para alguns ou peculiar para outros, mas inesquecível para todos.
É fato que um apagão sempre gera problemas e não é o objetivo desse post tentar dizer que o que aconteceu foi bom para o Brasil. Mas de nada adianta sermos pessimistas diante das dificuldades da vida. Às vezes, retroceder um pouco como fizemos na última noite, ligando o radinho de pilha e acendendo as velas, contribui para evoluirmos nos nosso relacionamentos sociais e pessoais.
Não podemos ser pessimistas o tempo todo, sabe-se que muitas pessoas foram assaltadas, arrastões foram feitos e acidentes de trânsito também aconteceram. A sabedoria não consiste em fechar os olhos para a realidade, mas tentar tirar algo de bom das dificuldades.
Se para isso acontecer, é necessário ficar no escuro de vez em quando, não custa nada apagar a luz.

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Realmente, foi bom ler este artigo para refletir, e me encontrei com essas palavras pois na verdade pensei nisso. Pessoalmente, eu não tive uma experiência de aproximação (somente com o meu violão que foi o companheiro no apagão) mas por relatos de pessoas próximas, e pensando nisso como um todo… mais uma vez compreendo como as pessoas se afastaram umas das outras, se é a modernidade, seus trabalhos, a correria… Esquecemos o quanto podíamos ser um pouquinho mais unidos uns aos outros, e assim sermos mais felizes. Pois toda a tecnologia que hoje achamos que tanto não sobrevivemos sem, atrapalha as relações humanas e com essas relações poderíamos até, ser mais felizes.
o medo acaba nos afastando das ´pessoas e ontem o medo acabou aproximando as pessoas,será que hoje você já comprimentou ou fez uma oração pela pessoa que te ajudou ontem?
Excelente, antigamente quando a maioria das pessoas moravam no interior, nas noites de lua cheia, pegavam o violão e iam cantar próximo aos vizinhos…
Onde todos se conheciam e se ajudavam, atualmente esse nosso mundo está tão corrido que as pessoas não tem tempo para nada, nem sequer para dizer bom DIA ao nosso vizinho.
Há males que vem para bem. Tomara que muitas pessoas tivessem aproveitado o apagão para fazer o bem, e não apenas pensando em maldades.
Moro em Curitiba, então não teve apagão por aqui…pelo menos não na minha área. Mas, com certeza, qualquer coisa que sirva para unir as pessoas é do bem…rsrsrs. Começando por tirá-las um pouquinho da internet e desse “cyber mundo”, trazendo-as de volta para o mundo “real”, o nosso mundo humano, onde precisamos tanto uns dos outros. Se o apagão conseguiu gerar esse efeito….hmmm… então essa experiência não foi em vão. Que venham mais apagões!
mesmo sem o apagão é possível promover atividades que aproximam cada vez mais as pessoas quer na família quer na comunidade basta ter vontade e tomar a iniciativa !
por isso é que as pessoas do interior refletem mais. porque é frequente a falta de corrente eletrica, quando em outros lugares q a luz eletrica ainda não chegou.
O problema todo foi a aproximação de MADONA!
Ela chegou cansada e à noite disse:
JESUS apague a Luz…
Bem, o povo brasileiro não sofre com terremotos, não precisa fazer treinamento de guerra, então, um apagão pode trazer grandes prejuízos, mas este nos fez refletir sobre muitas coisas…
Espero que se tirem lições para o bem.
Moro em Ananindeua, cidade metropolitana de Belém, capital do Pará, e não tivemos apagão, nós aqui estamos ligados a Hidroelétrica de Tucurui e a Eletronorte.
Com muita expectativa e um pouco de ansiedade pude acompanhar o apagão desde que iniciou, quando uma rede de televisão de São Paulo fez as primeiras materias da cobertura que se seguiu noite adentro.
Temia por amigos e familiares que temos aí em SP. E por uma pessoa muito especial em curitiba, onde também não houve escuridão por falta de energia eletrica.
Mas telefones ficaram mudos, e aí tudo passa por nossas mentes, passamos a procurar em vão por essa pessoa, a temer por ela, a família dela.
E assim me foi um tormento também procurar por ela no celular e net, e não a encontrava, eu fiquei aflito até que na madrugada baixa, já próximo do raiar do dia eu consegui, quando voltou o sinal da operadora de celular…
Esses acontecimentos assim tem uma função operativa, pois nos fazer ver o quanto as pessoas são valorosas e insubstituiveis para nós. A pessoa que eu procurava, finalmente me sinalizava que da distãncia e da escuridão da ausncia de comunicação, finalmente me dizia, alo, tudo bem. eis então que o clarão voltou pra mim, acalmou meu coração naquela noite apreensiva.
Abraços
André Alvarez.
Ananindeua, Belém. Pará